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De repente intercambista!

“Acordei naquela manhã de outono – minha primeira manhã aqui - sem nem acreditar no que tinha feito e não sabia se devia ficar feliz, triste, animada, aterrorizada...Acho que apenas a minha indecisão sobre os meus sentimentos já era o suficiente para me deixar apavorada, mas mesmo assim: respirei bem fundo e me preparei para sair da cama, se eu tinha me decidido por estar aqui, então tinha que encarar o desafio.

E então, como se já não bastasse a dúvida sobre o que sentir, agora eu também não sabia o que vestir para o primeiro dia de High School. Eu sei, eu sei que isso parece bobo, infantil e fútil, mas quando você é lançado para um lugar distante da sua zona de conforto e que te promete tanta liberdade e autonomia, tudo pode te assustar.

Tentei desviar o pensamento, mas me peguei levando isso a sério novamente quando me lembrei que na escola pública americana não tem uniforme como tinha na minha escola no Brasil, me bateu a vontade de ter aquilo de volta e quem diria que eu – justo eu – sentiria saudades daquele uniforme escolar que sempre detestei! Fazer o que, não é mesmo? Era apenas algo a me acostumar.

Me vesti com algo normal do tipo confortável e arrumadinha, escovei os dentes, penteei o cabelo, procurei por alguma coisa errada em mim mesma - como espinhas - e sai do banheiro. Peguei meu celular, minha identificação, uma mochila com um caderno para anotações, canetas etc., desci as escadas do sótão onde ficava meu quarto e lá estavam eles, na mesa a minha espera: a minha hostfamily!

Prontos para o café como se fossem para um grande evento – o que me deixava mais nervosa–, meus hostbrothers tinham deixado um espaço para me sentar entre os dois e na frente do meu lugar, a hostmother. Enquanto tomava um gole de café, falava com o father que estava na cozinha preparando algo.

Tentando me parecer normal sentei na minha cadeira o mais depressa que consegui, então minha mother olhou para mim e perguntou como eu estava me sentindo aquela manhã, com o melhor inglês que consegui, carregado com meu sotaque brasileiro, respondi: “Guudhi”.

Em seguida meu father veio para a mesa com suas panquecas e começou a lembrar do seu tempo de high school...Agradeci a Deus por ele ter feito isso, assim eu não teria que falar mais e me dedurar sobre o meu nervosismo e insegurança.

O tempo passou rápido naquela manhã e logo já estavam todos lavando suas louças do café e saindo em direção a porta de entrada da casa, fiz o mesmo só que de uma forma apressada, peguei minhas coisinhas e segui com eles até o carro. Por um momento achei que estavam mudando a rotina deles para me levar e por isso me senti desconfortável, descobri só mais tarde que os americanos têm o costume de acompanhar seus filhos até o colégio no primeiro dia de aula.

Decidi ir quietinha, entre meus dois brothers, com as minhas coisinhas no meu colo e por mais que eu não dissesse nada, muito eu pensava: meu cérebro formulava hipóteses, situações, respostas e outras coisas em uma velocidade surreal! Pelo caminho continuamos a escutar as histórias dos tempos de escola dos nossos parents, enquanto minha cabeça inquieta só conseguia pensar em como me apresentar para os outros alunos no primeiro dia... Será que devia falar que eu sou brasileira? E se eles fossem xenofóbicos? Gente, como eu vou esconder o sotaque? E se eles rirem de mim? E se eu ficar sozinha? Mas não deu tempo de auto responder todas essas perguntas, logo as calçadas vazias do caminho deram lugar a um monte de grupos de jovens com mochilas nas costas.

Eu nem tinha percebido que já fazia um tempo que os prédios da escola tinham começado: era simplesmente gigantesco! Não poderia nem imaginar que a pequena cidade americana em que me colocaram tinha tanto estudante assim que justificasse algo daquelas proporções. Quando o carro parou os parents nos desejaram boa sorte e bom dia, nós três descemos do carro e meus brothers foram cada um para um canto e eu me vi sozinha, na frente daquele portão que era enorme, todas aquelas pessoas indo em direção a ele...Então dei o que seria o meu primeiro passo para definitivamente começar o dia, me agarrei a minha mochila e andei em frente, olhando para baixo, para tentar parecer não querer nada.


No meu primeiro dia de aula eu deveria me encontrar com a conselheira (tipo uma orientadora educacional), que me ajudaria durante esse tempo na escola dos EUA. Durante a caminhada até a sala da conselheira passei pelos famosos corredores de armários, como aqueles de filmes americanos, e me senti nos meus sonhos de high school: jogadores de futebol americano e outros atletas com as blusas com o símbolo do time, grupos de amigos em volta dos armários de um deles conversando, os professores na porta das suas salas reencontrando os alunos... Pensei comigo: “-Uau, isso existe mesmo!”

As dúvidas voltaram a martelar meus pensamentos e eu não fazia ideia de como conseguiria me encaixar naquilo, sentindo uma mistura de adrenalina, ansiedade e alegria, comecei a andar mais rápido para não ficar assustada com a minha nova realidade, era tudo aquilo que via na televisão ou no Netflix.

Quando cheguei no final daquele corredor, encontrei a conselheira: uma mulher senhora muito gentil e amigável. Ela me falou sobre tudo: sobre a cidade, as notas, o tamanho das turmas e até que, enfim, ela chegou na parte que é tanto discutida por meus amigos brasileiros: escolher as matérias e atividades extras.

De início achei que as opções seriam muito limitadas, achei inclusive que não me encaixaria em nada, mas conforme ela me apresentava as opções, percebi que não era eu que devia me encaixar nos padrões da escola, mas ele que devia se encaixar ao meu estilo! Eu pensava que meu futuro ali era ser uma cheerleader ou algo do tipo, mas percebi que havia literalmente, de tudo: arte, tecnologia e robótica, dança, esportes, teatro, grupos de debate sobre diversos temas, grupos de matemática e muito mais. Fiquei sabendo então que muitos desses grupos foram criados pelos próprios alunos, comecei a me encontrar naquele novo universo. Em seguida ela me levou até a biblioteca para pegar meus livros (o material é emprestado pela escola) e me deu alguns minutos para que eu desse uma voltinha pela escola até o sinal da próxima aula tocar.


Esses minutos pareceram segundos e me apressei para encontrar a sala naquele labirinto de armários! Eu tinha 3 minutos para encontrar a sala e esse tempo já estava indo embora, então tomei coragem e perguntei para a primeira pessoa que encontrei no corredor onde ficava a tal sala. Ela logo notou que eu não era dali e, por sorte, estava indo para a mesma sala que eu...fomos juntas e na apressada caminha até a sala de aula conversamos um pouco e sentamos juntas durante a aula. Logo vi que assim como ela, outras pessoas dentro da sala compartilhavam os mesmos interesses que eu e pude perceber isso porque o professor promovia o debate de opiniões e ideias. Então comecei a me sentir mais tranquila e mais a vontade, fiz novas amizades, eles me apresentavam mais e mais pessoas e tudo começou a entrar no eixo certo.

Por alguns instantes pensei eu não conseguiria e que todo o meu esforço para estar em um programa de high school iria por água abaixo, mas com o tempo descobri que em um lugar onde o estudante participa da tomada de decisão sobre o que fazer, ter iniciativa e tomar as rédeas da situação faz toda a diferença. Em um mundo cada vez mais tecnológico, a capacidade agir por próprio, de pensar de maneira crítica e mais rápida é fundamental.

Ter sido intercambista em um programa que é cenário de filme americano me fez mergulhar em uma nova realidade e ter vontade de saltar para muitos outros mergulhos...”

Ana Lu.

Ana Luíza, Intercambista FYI

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A Ana Luíza viveu a experiência do tradicional high school americano, cenário de muitos filmes e séries.  Ela dividiu com a gente um pouquinho das suas memórias e nos autorizou a dividir com vocês.

O programa J-1 está com inscrições abertas para 2020, mas corre porque o prazo termina em março e as vagas já estão acabando!

Entre em contato com a gente e faça como a Ana Lu: #vaidefyi viver essa experiência incrível!

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